sexta-feira, agosto 14, 2026

Cinza



A morte liberta o corpo exausto

A alma já se extinguira

Silenciosa

Sobram vultos desérticos 

Erráticos

Haverá algo além deste horizonte sonâmbulo?


É miragem ou viagem, a cinza no caminho?


Decai o rosto derretido pelo tempo

Irreconhecível


À espera da viragem,

Vou sumindo de mim mesmo

Para amanhecer 

(talvez)

E da cinza renascida

Te encontrar outra vez

domingo, outubro 19, 2025

quinta-feira, agosto 14, 2025

Olhos

Só o silêncio conhece

Tudo o que dizemos 

Quando os meus olhos

Se diluem nos teus


Este tudo que és em mim 

Não tem princípio 

                              nem fim

quarta-feira, agosto 14, 2024

Viver

Quero viver
simplesmente viver
Silenciar o rumorejar de vozes
O seu ruidoso e incessante lamento que
me ensurdece a suave musica do silêncio

Quero esquecer que existe outro mundo lá fora
Politicos, guerras, aquecimento global
Quero a ignorante felicidade

Quero apenas a simplicidade da vida a acontecer
O calor do sol na cara 
Uma cálida brisa de Agosto
O sabor do sal na pele
o teu toque
Um sorriso inocente
E tu, num assombro, sempre dentro de mim,
Quero viver, simplesmente viver

segunda-feira, agosto 14, 2023

Fogo

Fogo e fúria

Ferve o sangue

Neste incêndio de Agosto

És a chama na noite

Espiral nas estrelas


Chamas por mim

E eu, naturalmente,

Rendo-me ao destino

Da luz entrelaçada

Em que me envolves.

Estrela ou fogo

                   Somos um

domingo, agosto 14, 2022

Poema de Agosto

Vou sendo verso solto sem nunca entrar em cena
E sem nenhuma estrofe onde encontre aprumo.
Num onírico e utópico desejo de ser poema,
Sou palavra que vagueia, sem rima nem rumo.

sábado, agosto 14, 2021

Poema das palavras desconhecidas

Hei-de escrever um poema
De palavras germinadas em silêncio
As que apenas se pressentem no rumor do mar
De que só os búzios solitários e a lua são testemunhas,
Feito de palavras segredadas por uma orquestra de cigarras 
numa qualquer noite sinfónica Alentejana.

Hei-de escrever um poema
Desenhado com palavras invisíveis
Para-palavras, sem limites, para que nelas caibam
a emoção que sente a criança que repousa no regaço da mãe,
 o corpo exausto de ser feliz.

Hei-de escrever um poema
Sem palavras, sem forma
Despido, num Eden por inventar,
Poema destino sem nunca ter partido.