Here Comes the Sun...
Little darling, it's been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it's been here
Here comes the sun,
Here comes the sun, and I say
It's all right
Que não seja eterno pasto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. Amor, Sabedoria, Trabalho são a fonte da nossa vida, devem também governá-la
Epitáfio em 3 fases (parte 3)
Já fechei a porta da casa abandonada
Nas paredes imagens desvanecem em sépia
O silêncio cortado pelo ranger da escada
E das portadas chora um fio de luz réstia
Já deixei a estrada que julguei nossa, perdida
O destino infinito foi abatido por um sinal:
Sem futuro, sem saída, em frente terra batida
E do espelho, cada vez mais longe a ferida
Já partiu o barco numa noite negra
Desfazendo em curva a saudade,
Longe a luz do farol pulsa lenta,
quase morta, quase cega
Já não existe dor, de ti nem sequer rumor
Apenas um sulco gravado na alma,
E o pó do tempo que o preenche em seu redor
Adeus
Epitáfio (parte 1)
Estava decidido em procurar-te. Precisava ver-te. Tantas palavras por dizer, tanto ruido disfarçado de silêncio. A manhã não tinha sido fácil, mas precisava ver-te. Não almoçou, mas foi ao seu encontro.
- Passei por aqui perto, e resolvi visitar-te (como quem vagueia sem rumo e toma um caminho qualquer; olha não tinha mais nada para fazer, e lembrei-me de te dizer olá)
O essencial continuava ancorado no mar que nos separava, apenas banalidades sobressaiam
- Como tens passado? O que tens feito? (Em que ponto ficámos, onde nos perdemos)
Caminhava feliz por estar a teu lado, mas faltava o principal. Pressentia uma marcha fúnebre. A derradeira caminhada. E apesar
- sinto a tua falta (quero estar contigo, chama-me, pede-me, exige-me)
Estava preparado para tudo, para responder a tudo, mas evitava as questões em mim próprio. Temia que não viesses, e assim não te procurei. Esperei. Esperavas. Não falei. Não disseste.E o tempo sepultou as palavras que aprisionavam o sentimento.
- Liga-me, para combinar-nos algo (um livro, o fim do mundo, um filho, um sonho, 5 minutos de tudo)
- Logo se vê (não a veria mais)
Da janela das águas furtadas avistava-se a cidade grávida de solidão. Na minúscula mesa encravada na sala, um pano de renda desconcertante derramava uma brancura gasta. Uma caixa de porcelana da feira do relógio, uma fotografia antiga. Alguns livros comprados a lote encadernam uma pequena estante que se encavalita junto à janela. Não se apercebe da sombra que habita, do equivoco de uma existência que apenas acumula a poeira do tempo que passa.
Vivemos no limiar do fim, sem sabermos, estamos já mortos. Maquilhados, disfarçados, sorridentes, presidentes, mas vazios. Mortos. Avançado estado de coma.
E hesito abrir a caixa com o teu nome
Para não desvanecer o sonho,
Não diluir as cores de um quadro
Que apenas pode existir
Dentro daquela caixa fechada,
Numa casa demasiado minha
Demasiado longe,
Numa porta que hesito
Resisto
Muitas das boas recordações que tenho de infância, moram na época Natalícia. Montar a árvore de Natal em conjunto era uma tarefa que durava um dia inteiro, e em que todos participavam. Desde a escolha do pinheiro (na altura ainda não existiam questões ecológicas e ambientais), pinheiro natural impregnado de cheiro a resina e a pinhal, tão grande que chegava até ao tecto. Depois, instalá-lo ao fundo da sala, e decorá-lo com enfeites de todas as cores e feitios, enfeites mais antigos do tempo dos meus avós, outros mais recentes. À volta da árvore até os gatos se reuniam (gostavam de trincar a caruma do pinheiro). As luzes eram colocadas em primeiro lugar, cintilantes de magia, depois bolas de todas as cores e todos os géneros gerando do caos de cores uma alegre harmonia. As fitas pousavam por cima de todos os outros enfeites . No final, na base da árvore, construíamos um presépio com caixas e tijolos em forma de colina, que cobríamos com musgo criando uma paisagem para a vila que ali se instalava durante quase dois meses. No topo, o abrigo do menino Jesus, Maria e José, um burro, uma vaca, os Reis magos a Camelo, e pela colina abaixo, entre caminhos desenhados com areia, subiam pastores, carneiros, patos junto a um ribeiro feito com espelhos, o carpinteiro, o pescador, o festeiro, três ou quatro casas mais afastadas do topo. À volta do presépio irão ficar os sapatos na véspera do Natal, à espera das prendas, na maior parte das vezes surpresas. Eram as surpresas as mais desejadas. Quando mais velhos, pedíamos alguma coisa especifica que gostássemos mais, mas nas surpresas é que residia o mistério e a magia, mesmo nas coisas mais simples. De noite, gostava de ficar deitado no sofá, no escuro apenas com as luzes da árvore de Natal ligadas, e ficava a contemplar os efeitos de luz e sombra do pinheiro reflectido no tecto, como um céu estrelado, iluminado por fogo de artificio.
Já nas férias escolares, que antigamente costumavam ser de quase 3 semanas, passávamos os dias a imaginar a noite de Natal, a contar os dias que ainda faltavam. E a televisão tinha sempre desenhos animados especiais nesta época. O Natal dos Hospitais era outro clássico que não perdíamos. O dia inteiro com uma manta enrolados no sofá encantados com músicas inocentes e pueris do cançonetismo Português, sempre terminando com o coro de Santo Amaro de Oeiras.
Na semana antes do Natal, começava o reboliço de preparação da noite de consoada: As fritas, a bola de carne, o pudim verde, a torta de laranja, o bacalhau ou o peru recheado, os frutos secos os aperitivos. A mesa arranjada que todos queriam ajudar a preparar. A louça que apenas se usava nesta ocasião. O calor. Ainda antes dos meus irmãos começarem a casar e sair e casa, não me lembro de termos a presença de mais família que a nuclear: pais e filhos. Mas guardo a memória de uma vivência intensa, eu e os meus cinco irmãos enchíamos a casa, e a presença da minha mãe, que tudo fazia, tudo preparava para um Natal mágico. Sei que nem tudo era fácil, mas a sua presença enorme, o seu espírito maior, ofereceram-me a memória e a ideia de um Natal tão cheio de paz, de uma felicidade absoluta, inocente, intocável. A ideia feliz de Natal foi desenhada pelas mãos quentes e ternurentas de minha Mãe, as suas mãos infinitas que ainda hoje me protejem, tudo tornavam possivel, tudo tornava simples. E o seu Amor e a sua entrega, prolongam-se em mim, continuando e perpetuando em mim a ideia e o ideal de um Natal feliz.
A inocência
O sol desvirginava a janela na moldura de uma tarde de Setembro maduro, em esforço derramado nos olhos amendoados de mel colhido nas pétalas que soltava o seu sorriso. As mãos apenas uma brisa de frescura que espia a pele de cetim dourada. Apenas o silêncio nos fazia companhia, visitada pela melancolia bucólica de uma calma imaculada. O tempo ainda não fora inventado, e tudo o que sabíamos era que a eternidade existia num momento de cumplicidade. Tudo era transparente na luz ténue filtrada pelo seu olhar, e era felicidade absoluta que experimentávamos, em estado tão puro, que convoca os anjos a murmurar uma quente brisa de fim de tarde em que nos aconchegávamos.
Era a água que chorava da nascente e em risos mudos se esvaia na corrente
....
Tudo era inocência, para além de pecado, para além da dor. Esto era a minha crença Isto era o que acredito. Não eram palavras, mas sim a alma inteira despida que na tua verdade se banhava.
Libertação
Aceito o convite para me ausentar, sabendo que só dessa forma
regresso
reencontro-me
Sem televisão, rádio, telefone, telemóvel, jornal, sem desinformação...
Desintoxicação
Silêncio
Sou uma poeira que vagueia no deserto
Tanto espaço, sou céu
os meus braços mar aberto
O meu peito vendaval
levado em liberdade
rasgado por dentro
Encontro-me finalmente
O meu olhar é uma gota do mundo
Oráculo de verdades adormecidas
Sementes largadas sobre ideias que nascem
palavras
vsisiveis apenas pelo contorno do silêncio nos meus lábios
na areia do deserto só a sombra de algo não visivel,
mas que a luz desenha em continentes que serão meu corpo
selvagem, cavalgado em suor sem redeas
sem restea de passado
Só amanhã eu feito luz que retorna para além da sombra que ainda sou
Palavras (em construção)
Um novo mundo nasce
Sempre que os dias se fazem pétalas,
Plumas que pairam no céu
Alando de desejo as palavras
De curvas sinuosas que rabiscam
Promessas de sonhos inocentes
É de essência a sua sede
revelam o sabor de Ser
E sem saber são liberdade
A vida é uma flor de dias
Preenchidos de palavras
Poema que em mim se espraia