Que não seja eterno pasto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. Amor, Sabedoria, Trabalho são a fonte da nossa vida, devem também governá-la
quinta-feira, julho 20, 2017
Síndrome Obsessesivo
Ter noção
Da limitação
Contenção
Observação
de perto
ao longe
me perco
me encontro
Ignorar a tentação
quarta-feira, maio 31, 2017
Correspondência
Podia falar da excelente fotografia, da realização, do
desempenho extraordinário dos actores (a Nicole Kidman está sublime), ou do
enredo. Talvez do enredo. A forma como a Anna e todos nós somos enredados na
crença de uma verdade em que queremos acreditar. O twist final é desconcertante.
Depois, todo o filme feito de silêncios que dizem tanto. A música.quarta-feira, abril 19, 2017
Catarse
Não estou doente, nem numa cama de enfermaria sequer. E no entanto sinto algo cá dentro como que partido. Como um relógio que dá sinal de meio dia quando o sol insiste em estar para além do horizonte.
A agonia do corredor de hospital. Alguém despido de si, vazio da sua dignidade, sem humanidade.
- Não há-de ser nada, vai passar
Não sou eu, que disparate. Eu estou bem. Foi algo que comi com a mania da comida saudável.
E tudo à volta tão irreal. As mesmas pessoas todos os dias. Do quarto para o corredor para a sala para o quarto.
O vulto sem nome no corredor, um lençol desmaiado enrugado pela dor. A náusea contagiada em cheiro de
...
segunda-feira, janeiro 02, 2017
Passageiro secreto
Existe um passageiro profundo que habita em mim. Tão real como o actor que caminha na rua.
Inquieto, é na sua intuição que melhor compreendo o caminho, a paisagem, os outros. Outros retratos, outros espelhos.
O actor sabe disso. E por isso o tolera.
Por vezes tenta ignorá-lo quando teima em queimar o guião com o fogo da verdade.
O passageiro é filho da luz e da sombra. É aquele breve instante entre a noite e o dia, é o efémero perpetuo. É o que não tem nome, porque é tudo e não é nada, é o bem e o mal. É uno e é múltiplo.
Vagueia por trás da máscara da máscara da máscara da máscara.
É nesse fio de luz e sombra que desliza a ponta da caneta em que me revelo e liberto.
domingo, agosto 14, 2016
Retorno
Retorna
Sem retorno
A peça que falta
Sem plano, sem promessa
Retorna
Sem retorno
Apenas um amanhã feito hoje
terça-feira, julho 21, 2015
Auto-destruição
terça-feira, junho 02, 2015
quinta-feira, agosto 14, 2014
quarta-feira, agosto 14, 2013
E no entanto permanece
domingo, dezembro 30, 2012
Tempo
Sábios e magos, cientistas e estudiosos sabem (dizem saber) que o tempo é relativo. ora infinito, ora um suspiro; condensa em si o todo e o nada, e nada é quando ele nem sequer faz parte da equação.
E se a ausência deve ser feita de instantes infinitos que enchem a alma, deve também ser apenas o breve intervalo até ao instante do regresso.
terça-feira, agosto 14, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
quinta-feira, outubro 20, 2011
domingo, agosto 14, 2011
E deitado na relva, ele chorou...
...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... Cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- Que é um ritual? Perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. (...)
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ai! – Exclamou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua, disse o principezinho. Eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Pois quis.
- Mas agora vais-te pôr a chorar!
- Pois vou
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! Disse a raposa. Por causa da cor do trigo… Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo. (...)
- Adeus...
- Adeus, disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade, disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
Excerto de "O Principezinho", de Antoine de Saint-Exupéry
sexta-feira, janeiro 30, 2009
sexta-feira, janeiro 23, 2009
sexta-feira, novembro 28, 2008
Hoje aconteceu uma coisa extraordinária: Um pássaro na varanda. Um pardal, após uma noite de temporal numa manhã de um dia de Outono avançado. De dorso dourado , esplendoroso, debatia-se sem conseguir abrir as asas. Calcei uns sapatos, protegi-me com um roupão, e com um pano gasto acolhi o pássaro entre as minhas mãos. Tinha os olhos fechados, e estremecia. Há quanto tempo estaria ali? Teria sido a noite que findava que o tinha conduzido até à beira da minha janela? Estaria lá há mais tempo, sem que me tivesse apercebido?
Tentei aquece-lo dentro da palma das minhas mãos, acalmar a pulsão do seu corpo que gritava urgência. Podia sentir o seu coração que palpitava hesitante. Tão frágil. Destapei um pouco, e pude comprovar novamente o seu dorso orgulhoso, dourado (seria o sol espelhado em suas penas). Calmamente abriu os olhos, que sussurravam tranquilidade. Acenei ternura numa leve carícia sobre a sua cabeça. O seu olhar pacifico, lentamente aproximou-se
Houve um jovem Pardal que numa manhã de primavera pousou na minha varanda. Não conseguia voar e durante três dias alimentei-o com miolo de pão dissolvido em água. Houve um jovem Pardal que me encheu de vida e esperança as manhãs daquela Primavera. Houve um jovem pardal de dorso dourado.
quarta-feira, junho 25, 2008
Sonha com um príncipe encantado que cuidará dela. Mas nem sempre. No entanto ilude-se no sonho de um castelo que não é. Finge não ver, finge não saber, pois o sonho sobrepõe-se
Mexe no cabelo quando se apercebe que é observada. Poderá ele? As mãos constrangidas entrelaçadas sobre as pernas nervosas as mãos. Olhos que fogem porque desejam ser encontrados.
Antes ao espelho, ajeita o cabelo o corpo observa com os olhos que insistem em
Descobre no reflexo da janela uma figura que não a sua que desliza o cabelo em torno do pescoço e pousa-o sobre a respiração quase nua. E ela observa. Questiona.
Fecha os olhos.
terça-feira, junho 24, 2008
Primeiro fica tudo branco, um branco de vazio. Só depois vem a sombra enorme avassaladora que escurece os recantos da alma.
Esta é a descrição simples, genuína, mas de uma clarividência espantosa, do processo de luto, de quem não tem muitas palavras, mas tem o sentimento profundo das coisas essenciais da vida.
Dar sentido à vida. A cada segundo da nossa vida. Não desperdiçar a Dádiva maior que permite tudo o resto.

