quarta-feira, novembro 09, 2005

Na breve explicação do pai natal:
"O que desejas receber, algo que queiras muito, um brinquedo, algo de que gostes muito..."
Uma resposta pura e imaculada dos olhos de uma criança, inundam os meus de emoção:

"Quero o pai"

E é de Amor que se constroi a vida que vale a pena.

sexta-feira, setembro 30, 2005

A inocência

O sol desvirginava a janela na moldura de uma tarde de Setembro maduro, em esforço derramado nos olhos amendoados de mel colhido nas pétalas que soltava o seu sorriso. As mãos apenas uma brisa de frescura que espia a pele de cetim dourada. Apenas o silêncio nos fazia companhia, visitada pela melancolia bucólica de uma calma imaculada. O tempo ainda não fora inventado, e tudo o que sabíamos era que a eternidade existia num momento de cumplicidade. Tudo era transparente na luz ténue filtrada pelo seu olhar, e era felicidade absoluta que experimentávamos, em estado tão puro, que convoca os anjos a murmurar uma quente brisa de fim de tarde em que nos aconchegávamos.
Era a água que chorava da nascente e em risos mudos se esvaia na corrente


....

Tudo era inocência, para além de pecado, para além da dor. Esto era a minha crença Isto era o que acredito. Não eram palavras, mas sim a alma inteira despida que na tua verdade se banhava.

Eram (o tempo já passou ... ainda não foi ... será?)..

quinta-feira, setembro 22, 2005

Havia um espírito presente de forma imaterial, na musica que cantada com o coração julgávamos ouvir entre sussurros, na luz forte espelhada nas folhas douradas que desenhavam a sombra da tua ausência (presença).
Fica a certeza do eterno retorno, do novo ano prometido.

quinta-feira, julho 28, 2005

Libertação


Aceito o convite para me ausentar, sabendo que só dessa forma
regresso
reencontro-me
Sem televisão, rádio, telefone, telemóvel, jornal, sem desinformação...
Desintoxicação

Silêncio

Sou uma poeira que vagueia no deserto

Tanto espaço, sou céu
os meus braços mar aberto
O meu peito vendaval
levado em liberdade
rasgado por dentro

Encontro-me finalmente

O meu olhar é uma gota do mundo
Oráculo de verdades adormecidas
Sementes largadas sobre ideias que nascem

palavras

vsisiveis apenas pelo contorno do silêncio nos meus lábios
na areia do deserto só a sombra de algo não visivel,
mas que a luz desenha em continentes que serão meu corpo
selvagem, cavalgado em suor sem redeas
sem restea de passado
Só amanhã eu feito luz que retorna para além da sombra que ainda sou

sexta-feira, julho 08, 2005

Palavras (em construção)


Um novo mundo nasce
Sempre que os dias se fazem pétalas,
Plumas que pairam no céu
Alando de desejo as palavras

Soltas dançam brincam
Em gomos de luz insinuantes
De curvas sinuosas que rabiscam
Promessas de sonhos inocentes

É de essência a sua sede
revelam o sabor de Ser
E sem saber são liberdade

A vida é uma flor de dias
Preenchidos de palavras
Poema que em mim se espraia

segunda-feira, junho 27, 2005

A tardinha chegava junto de nós dourando-te a pele. E quando pousavas os frutos que colhemos, esvoaçava o aroma a laranja nas ondas do teu cabelo. Hesitava, evitava o seu apelo, fugia o olhar caindo na armadilha das minhas mãos roçarem as tuas. Dedos longos, esguios que desenhavam sonhos quentes no ar que respirávamos. E o que dizíamos já não morava nas palavras que deixavam a nossa boca, e disfarçávamos a cumplicidade apenas com um sorriso infantil.
Podíamos afinal, tu e eu
O calor de Junho, o rumor do silêncio visitado pelas cigarras, a ausência do mundo, feito nosso mundo

Já dizias que me amavas, mesmo sem palavras, que é a forma mais pura de desvendar a essência do amor. Eu sabia-o, sentia-o. Ainda assim pressentia as palavras a palpitar dentro de ti, timidamente querendo despertar, primeiro a lápis, depois a fogo gravadas em mim. Palavras que se fazem tijolos da minha história.

sexta-feira, abril 15, 2005

O tempo implacável esvai-se no pulsar dos dias.
Mas existe sempre um fio que nos conduz, que nos liga a um propósito, um sentido, uma missão. E por vezes só à distância nos apercebemos da obra criada pelo trilho que vamos traçando.
Como o pintura que se cria no detalhe e no pormenor, mas que só se contempla quando dela nos afastamos. E pelo meio sucede-se o turbilhão de cores e matizes, cores claras e alegres, cores quentes e fortes e as outras. Cores escuras, sombras que ajudam a realçar a luz, essenciais para dar forma e vida à obra. E continuamos, desenhando, rabiscando, pintando, esbotando, e a cada pincelada acrescentamos sempre algo mais à nossa obra.


Regresso. Ausento-me.
Hesito. Persigo.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Escutava uma música distante, desenraizada da sua origem, desprovida do ambiente que lhe deu significado, e hoje cada vez mais perto de um símbolo arqueológico. Quem a ouve sem saber onde ela nasceu, que ambientes preencheu, a que noites e estados de alma deu sentido, quem não a conheceu quando ela aconteceu, não a percebe hoje.
- As teclas do piano numa melodia que insiste em tocar a minha memória
Olho para o titulo da música, para o artista, ultrapassado, renegado pelo tempo. Hoje é vulgar, out of fashion, pop disco sound anos 70, ou uma outra etiqueta qualquer.
- e a melodia encontra caminhos dos quais já não me recoradava
O som que ouço não passa pelos ouvidos, passa pela emoção. Transporta-me a um mundo distante, em que o Inverno percebia-se pelo calor dentro de casa, e não pelo frio das pessoas, das ruas... Fecho os olhos, sinto de novo o coração da minha infância que bate ainda vivo, puro, ignorante do mundo lá fora, seguro de um amor maior, repousado num tempo infinito, de um sonho que não termina nunca. O futuro não existe, e o passado só existe como raiz do presente.

segunda-feira, novembro 29, 2004

O Natal está ai...

O Natal está sempre no fundo do olhar do meu filho quando todo ele sorriso me abraça assim que retorno a casa.

quarta-feira, julho 28, 2004

Reclamo de volta o tempo onde tu ficaste à minha espera
adormecido sob as rugas dos sonhos que me aconchegam
E que disfarçam a saudade num sorriso queimado pelo Sol

Ainda não foi tudo escrito
E as minhas mãos anseiam ainda a paixão

sexta-feira, abril 23, 2004

O mar

Estendido sobre o horizonte
pleno
rendilhado a branco chama-nos ao seu encontro

Sereno à distância
Furioso na intimidade

segunda-feira, abril 12, 2004

De coração puro,
A alma ilumina-se, e desvanessem-se sombras
Fiel aos sentimentos mais sinceros,
Sincero comigo e com o mundo, torno-me transparente
E a tristeza faz-se esperança,
O medo faz-se coragem,
E o Sol triunfa sobre a noite.

Boa Semana!

segunda-feira, março 29, 2004

Conhecimento. Criação. Amor.
Estou grávido. Grávido de uma semente que cresce dentro de mim, ainda em presentimento, mas já tomando-me como uma profunda emoção, que me enche, que aos poucos me preenche com a comoção de algo que cresce dentro de mim.
Surgem letras, sinais de palavras e insinuações, de algo que está para além do dizível. Estou grávido e o meu fruto é um Livro.

sexta-feira, março 26, 2004

Sou mensageiro do silêncio e do vento
Da esperança que a brisa abraça
Sou sonho alado e a leveza do momento
De ser pleno numa palavra em brasa

Sou terra bruta, corpo estendido
Sobre a fronteira que une e separa
O mar sem fim e o céu infinito
Unidos em mim numa só luz tão clara

Quero sentir a vertigem do abismo
O assomo da palavra que insinuo
Libertar a Luz, a loucura do que não digo

A plenitude de me sentir vivo que trago comigo
Espraiada no mar, nas asas do céu, estendida na terra,
Seja pura, seja o abraço profundo do mundo contigo

quarta-feira, agosto 06, 2003

É misteriosa a nossa identidade
Crescendo para outro corpo,
Descobrindo uma nova verdade
Seiva de pássaro que prepassa o meu dorso

A mesma terra que nos viu nascer
Alimenta dentro de mim o desejo
De ser sempre semente e crescer
Renovar a cada dia o Amor que protejo

O silêncio revela mais que as palavras
O grito, o cansaço, por fim o repasto
O ardor do incêndio que lavra
E o amor tranquilo que enfim é meu fausto

Ontem e hoje, o tempo e o espaço são nossos
Tu e eu, somos um só, infinitos
Somos ainda a madrugada da vida

Por ti e por mim, abraça o sol
Amanhã e depois, voa mais alto, mais livre
Sejamos a vida cumprida além da madrugada

Qua

segunda-feira, agosto 04, 2003

Palpita um coração em sobressalto
Pulsa o sangue mais veloz, avivam-se as cores
Que a vida é agora mais intensa

Olha as estrelas, e repara se são mais brilhantes,
Olha o céu, e procura se é mais profundo,
Sente o cheiro ocre da terra,
deixa correr o calor que derrete os corpos

Observa os sorrisos e sente se são mais quentes,
Cativa-te nos olhares, neles habita todo o mundo
Deixa os sentidos dissolverem-se entre as cores
Que te devolvem ao inicio quando tudo é puro

Por mais que a alma insista em questionar
Existem perguntas que só a brisa responde
Em lugares e tempos insuspeitos
Que não nos cabe escolher ou prever

sexta-feira, agosto 01, 2003

Ela caminhava lançando a ponta dos seus pés suavemente em direcção ao céu, de forma elegante, azul... mas o seu nariz apontava além do horizonte, além da convicta petulância, desmentindo a poesia da forma como pairava por entre os mortais.

quinta-feira, julho 31, 2003

zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz