Que não seja eterno pasto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. Amor, Sabedoria, Trabalho são a fonte da nossa vida, devem também governá-la
terça-feira, julho 21, 2015
Auto-destruição
terça-feira, junho 02, 2015
quinta-feira, agosto 14, 2014
quarta-feira, agosto 14, 2013
E no entanto permanece
domingo, dezembro 30, 2012
Tempo
Sábios e magos, cientistas e estudiosos sabem (dizem saber) que o tempo é relativo. ora infinito, ora um suspiro; condensa em si o todo e o nada, e nada é quando ele nem sequer faz parte da equação.
E se a ausência deve ser feita de instantes infinitos que enchem a alma, deve também ser apenas o breve intervalo até ao instante do regresso.
terça-feira, agosto 14, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
quinta-feira, outubro 20, 2011
domingo, agosto 14, 2011
E deitado na relva, ele chorou...
...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... Cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- Que é um ritual? Perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. (...)
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ai! – Exclamou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua, disse o principezinho. Eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Pois quis.
- Mas agora vais-te pôr a chorar!
- Pois vou
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! Disse a raposa. Por causa da cor do trigo… Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo. (...)
- Adeus...
- Adeus, disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... Repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade, disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
Excerto de "O Principezinho", de Antoine de Saint-Exupéry
sexta-feira, janeiro 30, 2009
sexta-feira, janeiro 23, 2009
sexta-feira, novembro 28, 2008
Hoje aconteceu uma coisa extraordinária: Um pássaro na varanda. Um pardal, após uma noite de temporal numa manhã de um dia de Outono avançado. De dorso dourado , esplendoroso, debatia-se sem conseguir abrir as asas. Calcei uns sapatos, protegi-me com um roupão, e com um pano gasto acolhi o pássaro entre as minhas mãos. Tinha os olhos fechados, e estremecia. Há quanto tempo estaria ali? Teria sido a noite que findava que o tinha conduzido até à beira da minha janela? Estaria lá há mais tempo, sem que me tivesse apercebido?
Tentei aquece-lo dentro da palma das minhas mãos, acalmar a pulsão do seu corpo que gritava urgência. Podia sentir o seu coração que palpitava hesitante. Tão frágil. Destapei um pouco, e pude comprovar novamente o seu dorso orgulhoso, dourado (seria o sol espelhado em suas penas). Calmamente abriu os olhos, que sussurravam tranquilidade. Acenei ternura numa leve carícia sobre a sua cabeça. O seu olhar pacifico, lentamente aproximou-se
Houve um jovem Pardal que numa manhã de primavera pousou na minha varanda. Não conseguia voar e durante três dias alimentei-o com miolo de pão dissolvido em água. Houve um jovem Pardal que me encheu de vida e esperança as manhãs daquela Primavera. Houve um jovem pardal de dorso dourado.
quarta-feira, junho 25, 2008
Sonha com um príncipe encantado que cuidará dela. Mas nem sempre. No entanto ilude-se no sonho de um castelo que não é. Finge não ver, finge não saber, pois o sonho sobrepõe-se
Mexe no cabelo quando se apercebe que é observada. Poderá ele? As mãos constrangidas entrelaçadas sobre as pernas nervosas as mãos. Olhos que fogem porque desejam ser encontrados.
Antes ao espelho, ajeita o cabelo o corpo observa com os olhos que insistem em
Descobre no reflexo da janela uma figura que não a sua que desliza o cabelo em torno do pescoço e pousa-o sobre a respiração quase nua. E ela observa. Questiona.
Fecha os olhos.
terça-feira, junho 24, 2008
Primeiro fica tudo branco, um branco de vazio. Só depois vem a sombra enorme avassaladora que escurece os recantos da alma.
Esta é a descrição simples, genuína, mas de uma clarividência espantosa, do processo de luto, de quem não tem muitas palavras, mas tem o sentimento profundo das coisas essenciais da vida.
Dar sentido à vida. A cada segundo da nossa vida. Não desperdiçar a Dádiva maior que permite tudo o resto.
sexta-feira, abril 18, 2008
Escrever implica fechar à porta ao resto do mundo. Conseguir encontra-me comigo próprio, a sós, comigo em toda a sua plenitude de virtudes e defeitos, sem redutores de dor, sem niveladores de emoções, sem ponto médio, apenas a absoluta irregularidade do ser, de ser Vivo.
E cada vez é mais difícil largar o Porto de refugio. Não te esqueças pois que a coragem só mora à porta do medo. E a planície da savana só serve ao leão que dorme.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Corre até casa para preparar o jantar que arrefece sempre antes de tempo, por mais cedo que chegue arrefece sempre espreita pelas persianas gastas da marquise se chega, já não espera, espreita pela novela que chega sempre à hora certa, nem chega a arrefecer o jantar não espera
O filho mais velho não a conhece. Entra, come calado, deita-se fechado sobre o escuro dos lençóis pesados de ar bafiento.
terça-feira, novembro 27, 2007
Delirios (ensaio do regresso)
Conheci a Anussa na terapia de grupo para carnívoros inveterados. Estava naquela fase em que queria tornar-me vegetariano à força, mas não conseguia aguentar 2 dias sem ceder à tentação de um entrecosto grelhado, ou de um frango de churrasco. Houve uma sessão em que fui expulso da sala porque vinha a cheirar a “Zé do Frango Quente”. Eu tentei explicar que tinha sido devido a um contratempo no metro apinhado em hora de ponta que uma senhora ciosa dos seus 150 quilos e com um saco de 2 frangos cheios de molho picante, tinha encostado os sacos sobre o meu casaco, e dai aquele cheiro. Hoje em dia as pessoas são cépticas em relação a tudo. Tudo é anormalidade, e vicio.
Enfim, mas as sessões resultaram pois ao fim de 8 meses, 3 dias e 18 horas estava sem comer carne. Eu e a Anussa. Tudo começou quando após uma dessas sessões, eu e Anussa fomos comer um snack de pão de sésamo. Ela contou-me da sua vida, das suas paixões, dos pecados da carne. Trocámos ideias e encontrámos pontos comuns: os filmes favoritos “A festa de Babette”, “ Em carne Viva”, os grupos musicais que partilhávamos: “Meat Loaf”. Conversamos sobre a vida e a morte e o porquê de querermos fugir de toda a carne, de todo o sangue vivo. Não acabámos o pão de sésamo. Ela pegou em mim, e partimos para o seu refúgio secreto, onde nos entregámos à luxúria da carne em todo o seu esplendor. Ardia o ar tanto era o fogo que contaminava a carne suada. O modo como nos entregámos tão livremente, de forma tão espontânea e despreocupada, uniu-nos para sempre.
Passados 8 meses e 3 dias afastados da carne, mais próximos da virtude, da saúde, da salvação, continuamos a encontrarmo-nos e falamos de novas receitas de Tofu, da nova marca de arroz integral, de uma nova variedade de alface frisada.
Mas quando a olho nos olhos, vejo ainda o sangue a pulsar, em carne viva, e sei que estarei para sempre ligado a ela.
sexta-feira, junho 16, 2006
Com o primeiro fio de luz disvirginando o dia
assim alvoras as pétalas fechadas da flor
São lábios beijando o sol que surgia
Engravidando a manhã com seu rubor
Como se o mundo inteiro nascesse só para nós
E o que nos rodeia s desenhado apenas para ser o cenário
Das mãos que hesitam, dedos que insinuam
(com dedos que abrem, mãos que se unem)
(a luz original, antes de tudo, aquela que revela
a novidade a surpresa o desejo do desconhecido
o fulgor de tudo ser novo)
Mas a alegria esconde uma gota de orvalho surpreendida
[em construção; Ainda em Luz Construo-te]

